"Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia. Pois o triunfo pertence a quem se atreve... a vida é 'muito', para ser insignificante". Charles Chaplin.



segunda-feira, 20 de novembro de 2017

IBGE: Pretos ou pardos são 63,7% dos desocupados

(Redação Carta Capital)

Desemprego entre pessoas pretas e pardas chega a 14,6% e cai para 9,9% para as brancas

O Brasil tinha 13 milhões de pessoas sem ocupação, no terceiro trimestre de 2017. Desse total, 8,3 milhões, ou 63,7% se declaram pretos ou pardos. Com isso, a taxa de desocupação dessa parcela da população ficou em 14,6%, valor superior à apresentada entre os trabalhadores brancos (9,9%). Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta sexta-feira 17 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
A taxa de subutilização -  indicador que agrega a taxa de desocupação, de subocupação por insuficiência de horas (menos de 40 horas semanais) e a força de trabalho potencial - teve comportamento semelhante. Para o total de trabalhadores brasileiros, ela foi de 23,9%, enquanto que para pretos ou pardos ficou em 28,3%, e para brancos em 18,5%. Das 26,8 milhões de pessoas subutilizadas no Brasil, 17,6 milhões (65,8%) eram pretas ou pardas.
No terceiro trimestre de 2017, pretos ou pardos representavam 54,9% da população brasileira de 14 anos ou mais e eram 53% dos trabalhadores ocupados do país. Mas, apesar de serem a maioria, a proporção de pretos ou pardos ocupados (52,3%) era inferior à da população branca (56,5%). Além disso, o rendimento dos trabalhadores pretos e pardos foi de 1.531 reais, enquanto o dos brancos era de 2.757 reais.
A informalidade também atinge de maneira mais evidente a população negra. O percentual de empregados pretos ou pardos do setor privado com carteira assinada (71,3%) era mais baixo do que o observado no total do setor (75,3%). Dos 23,2 milhões de empregados pretos ou pardos do setor privado, 16,6 milhões tinham carteira de trabalho assinada. 
Quando observada a distribuição da população ocupada por grupo de atividades, é possível perceber que a participação dos trabalhadores pretos e pardos era superior à dos brancos na agropecuária, na construção, em alojamento e alimentação e, principalmente, nos serviços domésticos. Os pretos e pardos representavam 66% dos trabalhadores domésticos no País.
A PNAD Contínua mostrou, ainda, que, no Brasil, somente 33% dos empregadores eram pretos ou pardos. Já entre os trabalhadores por conta própria, essa população representava 55,1% do total. Mais de um milhão de trabalhadores pretos ou pardos atuavam como ambulante, totalizando 66,7% dessa ocupação. No terceiro trimestre de 2017, 25,2% dos trabalhadores pretos ou pardos atuavam como ambulantes, em 2014 esse percentual era de 19,4%.
Para o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, indicadores como esses revelam quão desigual é o mercado de trabalho brasileiro. “Entre os diversos fatores estão a falta de experiência, de escolarização e de formação de grande parte da população de cor preta ou parda. Isso é um processo histórico, que vem desde a época da colonização. Claro que se avançou muito, mais ainda tem que se avançar bastante, no sentido de dar a população de cor preta ou parda igualdade em relação ao que temos hoje na população de cor branca”, destaca.

CNTE: “Ubuntu - ‘eu sou porque nós somos’” é o tema da campanha do Dia da Consciência Negra

O que o mundo mais precisa a tradição africana ensina: ubuntu é o jeito de viver e conceber as relações humanas que pensa a comunidade em seu sentido mais pleno, como uma grande família. E é nesse espírito de coletividade, no qual se vivenciam os princípios de partilha, do cuidado mútuo e da solidariedade, que a África dá mais uma lição e nos ensina sobre a cosmovisão do mundo negro-africano. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) se inspirou nesse tema para desenvolver a campanha do Dia da Consciência Negra, celebrado neste 20 de novembro.
Para a CNTE, é importante reforçar a ideia de que somos uma teia de relacionamentos, que proporciona ao indivíduo reconhecer-se no outro, a partir da mudança de olhar do “eu” para o “nós”. “A educação deve partir, sempre, da coletividade. E o racismo será vencido porque nós estamos no coletivo fazendo este trabalho, CNTE, movimento negro, escola e sociedade”, destaca Iêda Leal, secretária de Combate ao Racismo da CNTE.
Reinterpretado ao longo da história, o ubuntu é ainda mais atual, ao inspirar a luta por uma sociedade democrática, igualitária e com amplo acesso às oportunidades para a vida com dignidade. Juntos, seremos mais fortes para o enfrentamento dos desafios e a superação das inúmeras formas de discriminação e desigualdade.

Escola Sindical da CUT comemora 30 anos e aponta desafios

“A formação é estratégica para barrar o desmonte de nossas conquistas”, aponta Bertotti

(Texto: Érica Aragão/CUT)

Nos próximos dias 29 e 30 de novembro, em Belo Horizonte, acontecerá o “Seminário de Comemoração dos 30 anos da Escola Sindical 7 de Outubro: Dilemas e Perspectivas da Formação Sindical”. O objetivo é fazer um debate em torno da formação sindical e o seu papel no atual cenário de crises, apontando dilemas e as perspectivas do Movimento Sindical, frente às novas configurações do mundo do trabalho.
“Vale lembrar que a fundação da Escola 7 – em 29 de agosto de 1987 – se deu através da mobilização da classe trabalhadora nacional e internacional, num cenário de grandes desafios como: altos níveis de desemprego, inflação alta, ataque aos sindicatos e aos movimentos sociais e com uma mídia comprometida com os interesses do capital. Um cenário que, em grande medida, se assemelha em muito ao que estamos vivenciando hoje”, explicou a Secretária Nacional de Formação da CUT, Rosane Bertotti.
Ao longo de três décadas, milhares de trabalhadores, dirigentes sindicais e lideranças populares, do campo e das cidades, passaram por cursos de formação sindical, seminários, encontros, projetos de qualificação profissional, alfabetização e elevação de escolaridade na Escola Sindical, e segundo Bertotti, amplia-se o desafio da formação sindical com a reestruturação produtiva do capital em sua nova fase, com Reforma Trabalhista e um governo que só tem compromisso com o patrão e retira todos os dias direitos historicamente conquistados. “Mais do que nunca, precisamos disputar a qualificação dos trabalhadores, concebendo a educação em sua integralidade: formação política para a vida, cidadania plena e formação profissional. A formação é o espaço estratégico de organização e mobilização da classe trabalhadora para barrar o desmonte de nossas conquistas”, complementou a dirigente.
O Coordenador-Geral da Escola Sindical, Adilson Pereira dos Santos, lembrou que esta foi a primeira Escola Sindical fundada pela Central Única dos Trabalhadores. “A Escola Sindical 7 de Outubro nasceu para contribuir com o fortalecimento do sindicalismo classista, democrático e de massas da CUT em Minas Gerais e no Brasil. É uma História construída pelo esforço de muitas mãos e de instituições do sindicalismo brasileiro e internacional, da academia e dos movimentos populares. Somos gratos a todos e todas que fizeram e fazem parte desta trajetória”, contou Adilson. “Nesta caminhada cheia de esperança, continuamos a nos inspirar no educador Paulo Freire, acreditando que se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, complementou o coordenador.
Rosane Bertotti finaliza: “É nos espaços de formação que nos fortaleceremos para conquistar hegemonia política e enterrar de vez as velhas forças patrimonialistas, escravagistas, patriarcais, visando construir um país justo, pleno de igualdade social e a serviço de homens e mulheres que com seu trabalho produzem a riqueza no Brasil”.

“Seminário de Comemoração dos 30 anos da Escola Sindical 7 de Outubro: dilemas e perspectivas da Formação Sindical”
Data: 29 e 30 de novembro de 2017
Local: Rua Nascimento, 101, Barreiro de Cima, Belo Horizonte

Programação:

29/11
Abertura Política: Saudações dos convidados (das 10 às 11 horas)
  . Vagner Freitas – Presidente da CUT Brasil
  . Beatriz Cerqueira – Presidenta da CUT MG
  . Jasseir Alves Fernandes – Presidente da CUT ES
  . Marcelo Rodrigues – Presidente da CUT RJ
  . Movimentos Sociais
  . Parlamentares
  . Coordenação da Mesa: Adilson Pereira – Coordenador Geral da Escola Sindical 7 de Outubro

 Mesa 1: (das 11 às 13 horas)
Golpe de Estado no Brasil e seus impactos sobre o mundo do trabalho

- Expositores:
. Roberto Véras de Oliveira –  Professor Universidade Federal da Paraíba (UFPB),pesquisador sobre temas como sindicalismo e contestação social, relações de trabalho, qualificação profissional, políticas públicas de trabalho, emprego e renda, economia solidária, diálogo social, cidadania, entre outros.
. Luiz Soares Dulci – Vice-Presidente do Partido dos Trabalhadores e integrante da primeira coordenação da Escola Sindical 7 de Outubro.
- Coordenação da Mesa: Beatriz Cerqueira – Presidenta da CUT MG e Marcelo Rodrigues – Presidente da CUT RJ

Mesa 2: (das 14 às 17 horas)
O cenário mundial, as novas tecnologias e configurações das relações de trabalho: oportunidades e perspectivas para o movimento sindical
- Participação:
. Giuseppe Farina – Representante do ISCOS (Instituto Sindical de Cooperação para o Desenvolvimento)
. Franco Patrignani – INAS (Instituto Nacional de Assistência Social) CISL (Confederação Italiana de Sindicato de Trabalhadores)
. Ariovaldo de Camargo – Secretaria  de Relações Internacionais da CUT
. Renato Dagnino – GAPI/UFMG 
. Regina Coeli Moreira Camargos –  Economista do DIEESE e professora da Escola DIEESE de Ciências do Trabalho.
- Coordenação da Mesa: Jasseir Alves Fernandes – Presidente da CUT/ES

30/11:
- Mesa 3: (das 9 às 12h30)
A formação Sindical da CUT e o mundo trabalho: pensando novos caminhos
- Expositoras:
. Rosane Bertotti – Secretária Nacional de Formação da CUT Brasil
. Daisy Cunha – Professora da FAE/ UFMG
- Coordenação da Mesa: Vandercy Soares Neto – Coordenador de Formação da Escola Sindical 7 de Outubro

Tarde
• Mesa 4: (das 14 às 15h30)
A articulação da Formação Sindical na Região de abrangência da Escola Sindical 7 de Outubro
- Apresentação:
. Adilson, Coordenador Geral da Escola 7 de Outubro
. Sérgio Gianetto – Secretário de formação da CUT RJ
. Gilmar de Souza Pinto – Secretário de Formação da CUT MG
. Eloisa Beatriz do Rosário de Abreu – Secretária de formação da CUT ES
. José Eustáquio de Brito – Vice-reitor da UEMG
- Coordenação da Mesa: Fernando Antônio Pereira Cançado – Coordenador Administrativo-Financeiro da Escola Sindical 7 de Outubro
- Encaminhamentos
- Encerramento (18 horas).

Dia da Consciência Negra: Seis estatísticas que mostram o abismo racial no Brasil

(Texto: Tory Oliveira/Editora Assistente do site CartaCapital – Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil)

No Brasil, a população negra é mais atingida pela violência, desemprego e falta de representatividade

A população negra é a mais afetada pela desigualdade e pela violência no Brasil. É o que alerta a Organização das Nações Unidas (ONU). No mercado de trabalho, pretos e pardos enfrentam mais dificuldades na progressão da carreira, na igualdade salarial e são mais vulneráveis ao assédio moral, afirma o Ministério Público do Trabalho.
De acordo com o Atlas da Violência 2017, a população negra também corresponde a maioria (78,9%) dos 10% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios.
Ao ser confrontado com as estatísticas, o racismo brasileiro, sustentado em três séculos de escravidão e muitas vezes minimizados pela branquitude nativa, revela-se sem meias palavras.
"Esse é um país que convive com uma desigualdade estrutural, especialmente em relação à questão racial", afirma Kátia Maia, diretora executiva da Oxfam, em entrevista à CartaCapital. 
Oded Grajew, presidente do conselho deliberativo da organização, diz que o preconceito social no País passa também pelo racismo. "Só não concorda quem não acompanha o dia a dia da vida brasileira. Um negro que dirige um carro médio, por exemplo, é parado diversas vezes pela polícia, ou quando vai a um restaurante, avisam a ele que a entrada de serviço é do outro lado. Para curar qualquer doença, é preciso reconhecer a doença", afirma.
Segundo o IBGE, mais da metade da população brasileira (54%) é de pretos ou pardos, sendo que a cada dez pessoas, três são mulheres negras.

Igualdade salarial só em 2089
Apenas em 2089, daqui a pelo menos 72 anos, brancos e negros terão uma renda equivalente no Brasil. A projeção é da pesquisa "A distância que nos une - Um retrato das Desigualdades Brasileiras" da ONG britânica Oxfam, dedicada a combater a pobreza e promover a justiça social.
Em média, os brasileiros brancos ganhavam, em 2015, o dobro do que os negros: R$1.589, ante R$898 mensais.
"Só alcançaremos uma equiparação salarial entre negros e brancos em 2089, 200 anos depois da abolição da escravidão no Brasil. Isso se a desigualdade continuar diminuindo no ritmo que está", alerta a diretora-executiva da Oxfam. 
A conta é feita com base em dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), considerando rendimentos como salários, benefícios sociais, aposentadoria, aluguel de imóveis e aplicações financeiras, entre outros. Ainda segundo o relatório, 67% dos negros no Brasil estão incluídos na parcela dos que recebem até 1,5 salário mínimo (cerca de R$1400). Entre os brancos, o índice fica em 45%.

Feminicídio de mulheres negras aumentou, das brancas caiu
O feminicídio, isto é, o assassinato de mulheres por sua condição de gênero, também tem cor no Brasil: atinge principalmente as mulheres negras. Entre 2003 e 2013, o número de mulheres negras assassinadas cresceu 54%, ao passo que o índice de feminicídios de brancas caiu 10% no mesmo período de tempo. Os dados são do Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais. Uma evidência de que os avanços nas políticas de enfrentamento à violência de gênero não podem fechar os olhos para o componente racial.
As mulheres negras também são mais vitimadas pela violência doméstica: 58,68%, de acordo com informações do Ligue 180 - Central de Atendimento à Mulher, de 2015. Elas também são mais atingidas pela violência obstétrica (65,4%) e pela mortalidade materna (53,6%), de acordo com dados do Ministério da Saúde e da Fiocruz.

Jovens e negros: as maiores vítimas da violência
Homens, jovens, negros e de baixa escolaridade são as principais vítimas de mortes violentas no País. A população negra corresponde a maioria (78,9%) dos 10% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios, de acordo com informações do Atlas da Violência 2017, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Atualmente, de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. De acordo com informações do Atlas, os negros possuem chances 23,5% maiores de serem assassinados em relação a brasileiros de outras raças, já descontado o efeito da idade, escolaridade, do sexo, estado civil e bairro de residência. “Jovens e negros do sexo masculino continuam sendo assassinados todos os anos como se vivessem em situação de guerra”, compara o estudo.

Maioria dos presos
O Brasil abriga a quarta maior população prisional do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, da China e da Rússia. Tratam-se de 622 mil brasileiros privados de liberdade, mais de 300 presos para cada 100 mil habitantes. Mais da metade (61,6%) são pretos e pardos, revela o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen).
Na contramão dos demais países, porém, a taxa de aprisionamento no Brasil não está diminuindo. Entre 2004 e 2014, o índice cresceu 67%. A taxa de superlotação por aqui também é maior: 147% no Brasil, ante 102% nos Estados Unidos e 82% na Rússia.

Baixa representatividade no cinema e na literatura
Só 10% dos livros brasileiros publicados entre 1965 e 2014 foram escritos por autores negros, afirma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) que também analisou os personagens retratados pela literatura nacional: 60% dos protagonistas são homens e 80% deles, brancos.
Já a pesquisa "A Cara do Cinema Nacional", da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, revelou que homens negros são só 2% dos diretores de filmes nacionais. Atrás das câmeras, não foi registrada nenhuma mulher negra. O fosso racial permanece entre os roteiristas: só 4% são negros. O levantamento da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) considerou as produções brasileiras que alcançaram as maiores bilheterias entre 2002 e 2014. Dentre os filmes analisados, 31% tinham no elenco atores negros, quase sempre interpretando papeis associados à pobreza e criminalidade.

Crise e desemprego
A crise e a onda de desemprego também atingiu com mais força a população negra brasileira: eles são 63,7% dos desocupados, o que corresponde a 8,3 milhões de pessoas. Com isso, a taxa de desocupação de pretos e pardos ficou em 14,6% - entre os trabalhadores brancos, o índice é menor: 9,9%.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta sexta-feira 17 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, no terceiro trimestre de 2017 o rendimento médio de trabalhadores negros foi inferior ao dos brancos: 1,5 mil ante 2,7 mil reais.

(Colaboração: Rodrigo Martins e Miguel Martins)

CNTE realiza semana histórica para a educação em Minas Gerais

(Texto e fotos: Jordana Mercado)

Entre os dias 13 e 17 de novembro, Contagem, município da região metropolitana de Belo Horizonte-MG, foi palco de grandes eventos da educação. Atendendo ao chamado da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e da Internacional da Educação para América Latina (IEAL), os sindicatos afiliados à Confederação participaram do IV Encontro do Movimento Pedagógico Latino-Americano, juntamente com educadores de 21 países da América Latina, Estados Unidos e, da Europa, os sindicatos UEN (Noruega), Larärforbundet (Suécia), FECCO (Espanha) e SNEAS (França).
Os 750 participantes do Encontro tiveram espaço para debater e elaborar sugestões para construção de uma pedagogia autônoma, elemento essencial para a definição dos rumos que terá o Movimento Pedagógico no nosso continente.
A Diretoria Executiva da CNTE também realizou sua reunião ordinária no dia 18 e, na tarde do domingo (19), ainda em Contagem-MG, o Conselho Nacional de Entidades (CNE) aprovou, por unanimidade, o Planejamento Estratégico e o Plano de Lutas para 2017/2020 da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
O presidente da CNTE, Heleno Araújo, ressaltou a importância do processo de planejamento para garantir que a Confederação continue exercendo seu papel de representatividade e enfrentamento a todas as políticas conservadoras e de retiradas de direitos conquistados pelos trabalhadores ao longo da história da entidade. “Esse planejamento visa promover todas as condições para ampliarmos a mobilização da categoria. Continuaremos fazendo a luta, nossa atuação será cada vez mais forte”, destaca.
Entre outros pontos, o Plano de Lutas aprovado delibera que os trabalhadores em educação, representados pela CNTE, continuarão mobilizados pela ampliação do orçamento público para a educação e demais políticas públicas, em contraposição à PEC 55 e ao PLC 54. E entre as ações previstas está a realização de uma grande Greve Geral Nacional da Educação e do conjunto da classe trabalhadora representado pela CUT, demais centrais sindicais e movimentos sociais.
A CNTE deixou registrado o reconhecimento a todas as afiliadas que se empenharam para o êxito dessas atividades. “Agradecemos o engajamento de nossas entidades, pois isso garantiu a qualidade dos vários eventos protagonizados durante essa semana histórica aqui em Minas Gerais. Saímos fortalecidos e revigorados para os embates que travaremos daqui por diante, e isso graças ao comprometimento de cada um e cada uma”, disse Fátima Silva, Secretária Geral.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Políticas para o EJA são tema de audiência na Assembleia Legislativa

Audiência foi realizada pela Comissão de Educação da Alesc, nesta semana

(Texto: Tatiani Magalhães - Foto: Solon Soares/Agência AL)

A criação de um grupo de trabalho, no âmbito do Parlamento estadual, para debater políticas públicas voltadas à educação de jovens e adultos (EJA) em Santa Catarina foi tema da audiência pública realizada pela Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Assembleia, nesta semana, no Palácio Barriga Verde. No encontro, profissionais da educação apresentaram demandas, destacando a importância da alfabetização, especialmente para a população com idade a partir de 15 anos. 
Conforme a deputada Luciane Carminatti (PT), que solicitou a audiência, o objetivo é buscar, a partir da criação do grupo ações que possam assegurar as demandas do Plano Estadual de Educação (PEE), que prevê metas e objetivos para todas as áreas, níveis e modalidades da educação, inclusive a educação destinada a jovens e adultos. Segundo a parlamentar o PEE é uma lei estadual que estabelece ações para educação até 2024. 
Ao defender a criação do grupo de trabalho, Luciane pontuou que a iniciativa vai colaborar para que as inúmeras ações que precisam ser desencadeadas, como zerar o analfabetismo adulto, diminuir o analfabetismo funcional e garantir a escolaridade para a população com mais de 15 anos de idade, sejam cumpridas. "Nossa intenção é trabalhar maneiras de aliar a escolaridade com o ensino técnico e profissionalizante", comentou.
Considerando a iniciativa de vencer o analfabetismo um grande desafio, uma vez que, grande parcela dessa população afastada da escola está justamente no meio rural, a parlamentar ressalta que a dificuldade é grande, mas possível de ser superada. De acordo com Luciane, para vencer esse processo da alfabetização, o grupo espera que haja um movimento coordenado pela Secretaria de Estado da Educação, em parceria das prefeituras e instituições universitárias, para que as metas e estratégias do PEE possam ser cumpridas.

Visão do educador
Em nove anos de experiência como professora do programa de EJA, Luciene Fontão defende a necessidade cada vez maior de se trabalhar com projetos coletivos e individuais, prezando especialmente o letramento. "A leitura e escrita precisam ser molas mestras para que a pessoa que não teve acesso à educação possa desenvolver plenamente seu potencial, com garantia de aprender e poder avançar", afirmou.
Integrante do EJA desde 2008, Luciene afirma que os núcleos da instituição, em Florianópolis têm a preocupação de trabalhar em vários polos. "Nossa meta é oferecer através do EJA a oportunidade de uma boa alfabetização", frisou. Segundo a professora, essa modalidade de ensino proporciona um ótimo trabalho, mas para suprir a demanda da população que teve o acesso à escola interrompido é preciso ajustes. "Atualmente precisamos de uma EJA mais flexível, que possa continuar agregando a qualidade necessária para uma excelente alfabetização", revelou.      

Demandas
Considerando que em Santa Catarina existe 1,7 milhão de pessoas acima de 25 anos que não possuem o ensino fundamental e médio, o coordenador do Fórum de Educação de Jovens e Adultos de Santa Catarina (Feja/SC), Daniel Berger, afirmou que a principal demanda é reduzir esse índice. Segundo ele, o EJA no estado atendeu, em 2015, um total de 47 mil pessoas, sendo 23 mil no ensino fundamental e 24 mil no ensino médio. "Não atingimos sequer 50 mil pessoas. Esse é um número muito baixo perto da quantidade de pessoas que não foram alfabetizadas", avalia.
Para aumentar o número de alfabetizados e assegurar que a legislação que estabelece a educação seja cumprida, Berger destaca que o EJA carece cada vez mais de professores habilitados e concursados e com formação continuada para exercer esse processo. "A oferta de turmas de alfabetização para pessoas que vão iniciar os estudos do zero é uma das principais dificuldades presente no estado. Desde 2014, o Estado não abre vaga para esse público, ofertando apenas vagas para pessoas que já tenham alguma noção de alfabetização. Além da necessidade de manutenção de algumas turmas", pontuou.
Berger ressaltou também a necessidade de se criar planos articulados entre estado e município. "É preciso uma chamada pública para que as pessoas tomem conhecimento e voltem a estudar". A idade mínima para ingresso no EJA é 15 anos completos no ato da matrícula para o ensino fundamental e 18 anos completos para o ensino médio, conforme as resoluções nº 3/2010/CEB/CNE e nº 074/2010/CEE/SC.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Existe escravidão na Educação Infantil brasileira, diz especialista

Durante a reunião temática para discutir a “Educação Infantil como Direito e Política de Estado”, dentro das atividades que precede o IV Encontro do Movimento Pedagógico Latino-Americano, em Belo Horizonte, a professora Jaqueline Pasuch, do Mieib/Brasil, disse que a Lei Áurea não foi assinada para os profissionais da educação na primeira infância, pois nos estabelecimentos ainda tem muitos técnicos que fazem tudo, por falta de estrutura e prioridade da política educacional nesta modalidade.
Segundo a professora, com mais de 32 anos de magistério, a escrava negra de canela fina que servia para cuidar os filhos dos brancos nos séculos passados continua presente nas escolas de todo o Brasil. “Ela que faz tudo e não recebe nem 10% do valor pago aos profissionais, que já ganha mal. Temos que acabar com isso no país”, ressaltou Jaqueline.
Para o secretário de Assuntos Educacionais da CNTE, professor Gilmar Soares Ferreira, a educação infantil como direito é fundamental para condição para socialização, desenvolvimento sócio-psico-afetivo integral da criança e, por consequência, melhor aprendizado nos anos sequentes na escola.
“Nós defendemos o Sistema Único de Ensino ou Educação, a formação e valorização profissional igual para os educadores desde a educação infantil até o ensino médio, além de uma carreira única. Só assim vamos garantir uma política educacional de qualidade desde a primeira infância”, afirma Gilmar Soares. O professor Gilmar defende ainda que o piso salarial deve ser único e a jornada compatível e única em uma só escola.